Pages

Mostrando postagens com marcador Textos diversos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos diversos. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 19, 2012

O ofício docente

0 comentários
Durante a faculdade, lembro que muito se falou nessa questão de dar aula de Arte para crianças, analisar os seus desenhos para saber o que se passa por suas pequeninas cabeças. Slides de Power Point eram passados diante de nossos olhos, enquanto a professora deleitava-se com os traços infantis, comentando por cima sobre o universo encantado infantil.

Só que somente isso não basta para colocarmos à frente uma proposta de qualidade para que possamos apresentá-la aos pequenos, fazendo com que pouco a pouco se familiarizem com a Arte, fazendo-os reconhecer trabalhos, cores, e principalmente tomar gosto por eles.

Um dos desafios que mais me imponho enquanto educadora rodeia a questão do interesse x entendimento. As gerações atuais precisam urgentemente aprender a pensar, e aprender a gostar da Arte que não lhe é apresentada, acima de tudo por ser considerada exclusiva das grandes elites, ou como algo banal e chato. 

Não somente falo das Artes Visuais, mas da leitura, do gosto pelo imaginário, pelo desenvolvimento das capacidades cognitivas, edificadoras no presente e no futuro. Para que se colham frutos maduros, precisa-se plantar as sementes corretamente e regar o solo, para que no futuro nasçam lindas plantinhas. 

Infelizmente, as faculdades não preparam a nós, licenciados ou pedagogos, para lidar com uma sala de aula com 35 alunos, com problemas pessoais e psicológicos fortes, focando-se em discursos demagógicos e idealistas, baseados em autores que têm uma visão superficial e de fora sobre o ofício de ensinar.

Ensinar não é apenas adentrar uma sala de aula, "transmitir" o conteúdo aos alunos, e tratá-los como se fossem apenas objeto de despejo. Neste ponto, sou completamente partidária a Paulo Freire! Há um elemento sim que defendo como fundamental no ensino de qualquer conteúdo: o amor. Risível à primeira vista, mas essencial à atividade docente. O professor que não aprende a amar seu conteúdo, que não aceita os seus alunos não é um professor que seja feliz em sua carreira. Mas é claro que isso não é uma tarefa fácil! Os desafios que surgem dia após dia, os problemas, os dias ruins e a raiva que sentimos ao sermos testados constantemente fazem com que percamos inclusive a saúde, a voz, e o ânimo de fazer deste um mundo melhor.

Já dizia John Lennon: "You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one." O professor é um idealista por natureza. Se seguiu sua carreira por amor àquilo que faz, ele tem sim esperanças de fazer este um mundo melhor, e deixar sua marca por onde passa! 

Mesmo lutando contra a maré, contra as drogas, contra o sistema, contra as famílias desestruturadas e a falta de carinho que há nelas, nós insistimos em dar um pouco de nós aos nossos alunos. Apresentar-lhes alternativas e acima de tudo, encorajá-los a lutar - fazê-los criar gosto pela luta, pela vitória na vida. 

quarta-feira, junho 23, 2010

A vida por trás do traço

0 comentários
Desde que me dei por gente, costumava ser perfeccionista com os meus desenhos. Tinha por eles um carinho todo especial, e queria que saíssem exatamente do modo que eu os tinha pensado.
Sendo assim, utilizava a borracha toda a hora, o que fazia muitas vezes o papel ficar marcado ou muitas vezes rasgar-se.

Não muito incomum, vejo os meus alunos fazendo a mesma coisa... Decepcionados consigo mesmos ou de má vontade, afirmam que não sabem desenhar. Às vezes fico pensando se eu pudesse transmitir a eles o que eu penso a respeito dessa alegação, tão simplista, tão preconceituosa... Fazê-los ver que não precisam tornarem-se Michelângelo ou Rafael para aprenderem a dominar os traços.

Não somente crianças se portam assim. As pessoas adultas no geral têm uma grande dificuldade em se desligar do resultado final e preocupar-se em aprimorar-se durante o processo. Em aperfeiçoar o traço como um todo. É o que procura o estudo de caligrafias chinesas e japonesas... A VIDA existente no traço. Já reparou como o desenho fica morto quando é retocado inúmeras vezes com a borracha?

O desenho é muito mais do que um conjunto de formas figurativas intencionais em um papel, ele transmite a ansiedade do traço, a leveza ou brutalidade com a qual o ser humano se utiliza de uma ponta com tinta sobre um papel.

Infelizmente, só consegui me dar conta do que eu própria estava fazendo, ao utilizar tanto a borracha, ao entrar na faculdade. É muito triste que tenhamos essa cultura de apagar tudo aquilo que achamos feio.

Quando me dei conta disso, abandonei o lápis e a borracha, e passei a trabalhar unicamente com caneta. A caneta devolveu vida ao meu desenho. Em vez de apagar os meus traços, eu os complementava, para que dessem mais impressão de realidade. Não era somente um traço que determinava o meu desenho, e sim o conjunto de traços que acabava por si só dando origem a uma nova forma, que no final acabara saindo melhor até do que eu havia imaginado.

As pessoas deveriam pensar no desenho mais como uma terapia ocupacional, sem a intenção de fazer dele um grande trabalho de arte condizente com a realidade visível. A câmera fotográfica digital já nos dá tudo que precisamos, registrando com exatidão tudo que podemos ver. Mas o desenho pode demonstrar aquilo que a câmera não consegue captar: a vida por trás do traço. 

segunda-feira, abril 26, 2010

Graffiti como ferramenta pedagógica

1 comentários
Andei ausente por algum tempo por estar preocupada com os meus estágios, já que estou no último ano do curso de Artes, da FURG (conforme diz o meu perfil no blogger).
Só que, ao invés de procurar um tema novo, que tal trazer a preocupação do estágio e compartilhá-la no blog? Há tempos estava preocupada sobre que assunto abordar com uma turma de 5ª série do ensino fundamental.
Inicialmente, eu e a minha companheira de estágio Natália, tínhamos em mente trabalhar com papel com as crianças. Engano nosso na nossa primeira observação de aula no CAIC, que é uma escola de ensino fundamental vinculada a nossa universidade. As crianças eram muito dispersas, e agitadas, como qualquer turma NORMAL de 5ª série. Vimos ali que não daria certo trabalhar com um tema que exigisse tamanha concentração e habilidade motora.
Fora que não estávamos trabalhando com um assunto que provavelmente interessasse a eles. Então em meio às nossas conversas inclusive com a professora Rita Patta Rache, tivemos a brilhante ideia de trabalhar o graffiti em sala de aula.
Mas por que o graffiti? Como o graffiti influencia tanto na vida dessas crianças?

A resposta parece mais simples de ser respondida. O problema das aulas de Arte do ensino fundamental, especificamente, é a falta de conexão entre os conteúdos programáticos (normalmente visando a história da Arte europeia) e a realidade de vida dos educandos.
Procurar uma oportunidade de Ensino de Artes em meio a uma cultura que se difundiu na periferia é um excelente modo de trazer de volta à mente dos alunos uma aula que vise estimular a criatividade, e o encontro da identidade do pré-adolescente.
Artes nas aulas geralmente é conhecida como a "aula do 'tudo pode'". Geralmente acaba virando bagunça por uma falta de conteúdo fixo, como as outras disciplinas. Por isso que é importante que os professores se atentem a isso, e se usem dessa lacuna das Artes para que eles mesmos passem a analisar os interesses dos alunos e tragam até eles uma cultura que realmente lhes dirá algo, que fale a sua língua.
O ensino de Artes é um assunto muito delicado, porque o professor deve orientar os seus alunos procurando interferir ao mínimo a produção do educando. Não deixá-lo largado com o "laissez-faire", mas ao mesmo tempo não criar uma aula rígida, onde os alunos se sintam presos.

Uma verdade bem interessante que aprendi é: O conteúdo deve adaptar-se aos alunos e não o contrário.
Claro que disciplina é importante e um professor deve ter o chamado "domínio de turma". Um livro interessante que comprei nesse final de semana, justamente preocupada com essa questão, foi um do Celso Antunes entitulado "Professor bonzinho = aluno difícil: A questão da indisciplina em sala de aula". É bem interessante. É uma leitura simples, gostosa e sem rodeios. Celso Antunes simplesmente nos dá conselhos práticos sobre como trabalhar com as turmas. Ensina a sobre como impor autoridade sem ser autoritário.

Esse texto foi somente uma explanação sobre a ideia que tive de trabalhar com estas crianças a respeito do graffiti. Quanto ao conteúdo do graffiti, pretendo trazê-lo conforme o andamento das aulas, e dando a minha narrativa. Espero que isso sirva de ajuda para professores ou estagiários como eu, já que ideias são sempre boas, e a gente está sempre aprendendo e ensinando ao mesmo tempo.

Referências (não estão segundo a ABNT):

"A arte-educação cria elos com o cotidiano?" - José Augusto Avancini; Porto Alegre, 1995.

"A Pluralidade cultural e o ensino de Arte" - Ivone Mendes Richter; Ijuí, 2004.

"Resistência à aprendizagem" - Filosofia Espírita para crianças; http://www.universoespirita.com.br

domingo, fevereiro 28, 2010

Arte, Artesanato e Romero Britto

3 comentários
Depois de mais de 3 meses afastada, talvez por falta de inspirações e ideias para colocar no blog, volto com uma gama de assuntos para serem tratados de agora em diante.
Andei afastada por estar me focando mais na produção do que meramente na pesquisa, mas como nada é por acaso, queria aqui introduzir um assunto que foi o meu foco nos meus últimos 3 meses de produção em Artes e Artesanato.

Nós, como estudantes de Artes, somos obrigados a estabelecer um parâmetro de diferenciação entre a Arte e o Artesanato. Sendo que a diferença básica entre os dois, é a maneira como eles são vistos, a maneira como são utilizados, e como são feitos também.

A Arte é uma coisa única. Uma obra de museu, por exemplo, é uma obra de arte única e que somente o seu artista pode explicá-la com exatidão. Ela tem um significado simbólico, muitas vezes conceitual, quando tratamos de arte contemporânea, ou pode, muitas vezes, decorar uma casa, como os quadros antigamente que eram encomendados e considerados obras de arte.
Mas a diferença entre os dois não é tão fácil de ser entendida. Já que muitos trabalhos considerados obras de Arte são considerados Artesanato por alguns profissionais da área.

Para começar bem com o exemplo, começo aqui falando de um artista que tem dado o que falar. Estou falando de nada mais, nada menos que Romero Britto. Romero Britto é um artista brasileiro que ganhou notoriedade no exterior pelos seus quadros coloridos, alegres e com formas convexas. Lembro que muita gente comenta que até mesmo a Madonna tem quadros desse notável artista em sua casa.



Com certeza o trabalho dele é bem feito, mas não há um significado aparentemente profundo além do que ele apresenta. São quadros bonitos, alegres, até mesmo com um estilo original e PONTO. Não há nada além do "belo" e "colorido". E não há simplesmente nada de errado com isso, porque nem tudo dentro da Arte precisa vir acompanhado de um significado muito forte (assim como no Renascimento, a beleza era o principal objetivo).

Uma vez um professor meu disse que a obra dele estava mais voltada ao artesanato, e não deixa TAMBÉM de ser verdade. A obra de Romero Britto não lembra aqueles artesanatos que vemos em revistas de patchwork ou decoupage? As formas quase que estereotipadas, a facilidade e fluidez do traço, quase como uma estampa, fazem a obra dele tender para o artesanato. O que com certeza não tira o mérito desse artista, já que ele criou moda, criou um estilo, e isso mostra o quanto ele influencia pessoas a ponto de fazer fama no exterior.

Estou dando introdução a esse assunto porque pretendo tratar em uma outra oportunidade a respeito de algumas técnicas que são consideradas típicas de artesanato, mas que, com elas, podemos fazer Arte também.

Despidos de preconceito contra o Artesanato, podemos pesquisar e aprender muito com coisas que a nossa "vovó" faz. Até por que... O que impede de utilizarmos o artesanato para produzir algo realmente profundo e significativo?

segunda-feira, junho 08, 2009

Que tipo de pessoas queremos formar?

1 comentários
Esta é uma pergunta que a professora Rita Rache tem feito a nós desde a semana passada.

Complicado responder que tipo de educadores queremos ser, já que a nossa futura profissão influenciará a vida de muitas pessoas, que confiarão em nós como detentores do conhecimento.
Sei que muitos colegas não seguirão a carreira, mas é realmente uma pergunta que nos intriga, já que somos influenciadores desde a primeira palavra até o último "bom dia" de despedida à turma. Dependendo da nossa postura, podemos cativar os alunos, fazer com que não nos levem a sério ou simplesmente não gostarem da nossa cara, já que tentaremos nos mostrar pouco amigáveis, a fim de que não se "pise" em cima de nossa autoridade.

Ser professor é um antro de interrogações, já que não sabemos o que dizer ou o que não dizer, o que é bom ou não de ser abordado dentro da sala de aula, comentar política ou não? Não se posicionar? Mas como não se posicionar, sendo que fazemos isso o tempo inteiro?!

Algo que com certeza só saberemos responder na prática, errando, errando e errando. Porque ser professor é falhar, portanto seria estranho se alguém saísse da faculdade, com N conceitos formados a respeito de como dar aulas, e ir lá para frente de uma turma de 40 alunos e ver que todos os livros que se leu, todos os debates em sala de aula ficaram para trás. Que a realidade de hoje é mais densa, é menos bonita do que dizem os discursos de textos político-educacionais.

Nem todas as pessoas tem SACO com gente empolgada que sai da faculdade. E quem sai geralmente faz planos, idealiza, quer mudar o mundo! Mas as instituições nem sempre facilitam essa vontade toda de ensinar. Não quero aqui criticar as instituições, já que sempre devemos procurar as soluções e não nos focarmos em problemas.

Às vezes, tu tens que enfrentar outros colegas, que têm ideias diferentes das tuas. Já que no meio educacional existe muita gente querendo puxar o teu tapete! Não demonizando aqui as instituições de ensino e seus participantes, mas não podemos negar a existente concorrência entre professores dentro de uma escola, ou das frequentes "panelinhas" que encontramos. Há de se tomar muito cuidado com o que se comenta!

E quanto aos alunos? Como fazer com que se interessem por Arte? Como desmistificar a Arte como sendo algo mais do que desenhos, trabalhos manuais fora de contexto? Como fazer com que se interessem pela forma da Arte ver o mundo? Isso é algo que não deve ser respondido em um texto, tampouco em um artigo acadêmico, mas é algo para ser refletido a fim de que encontremos o meio ideal para "educar". Não "educar" no sentido de "adestrar". Eu mesma não quero formar alunos que reproduzam o que eu digo! Quero que discordem de mim, quero que possuam uma postura própria e aprendam a se expressar.

Nada que seja uma negação ao mundo e sua realidade, mas uma espécie de preparar os alunos para uma realidade que vão encontrar. Não falo isso em seu contexto ruim, já que a realidade também tem seus lados bons! Tu podes mostrar os diferentes lados para os alunos e fazer com que eles escolham qual rumo querem seguir.

Todos nós temos um pouquinho que seja de livre-arbítrio, por isso mesmo que cabe a nós sabermos escolher e empreender no que melhor nos parece.

sábado, maio 09, 2009

As cores nas Artes Visuais

4 comentários
Estava eu aqui quebrando a cabeça pensando em um assunto para tratar no meu blog. Como gosto de inovar e pegar coisas diferentes para tratar, resolvi falar de um assunto que com certeza é bastante presente em toda a história da pintura.
Estou falando do elemento COR, que nos causa uma dada impressão a respeito da natureza da obra de arte, ou nos mostra como é a natureza do indivíduo que vive em uma determinada cultura, ou a natureza da própria cultura em si.
Já que não escrevo nada aqui sem um embasamento teórico oriundo de um site de confiança, tomei emprestado alguns argumentos de um artigo de uma moça da ISCA faculdades, em Limeira - SP. Inclusive quem quiser dar uma olhada no artigo completo, eu indico, principalmente para aqueles que estudam os processos de criação dentro do ramo das Artes Visuais, ou simplesmente para os críticos de Arte ou até mesmo historiadores de Arte.

Inicialmente eu pensei em falar da influência psicológica da cor, tratada tão veementemente por Van Gogh. Para ele era essa a questão essencial da Arte, já que a cor transmite o sentimento do ser humano quando criou a obra de Arte.

Mas não é somente o argumento psicológico que é válido nesse estudo. As cores nas pinturas também podem ser analisadas sob o ponto de vista antropológico.

Comecemos pelo ponto de vista psicológico. O que buscavam os artistas quando retratavam suas obras com ou cores frias, quentes, mistos dessas duas? Queriam eles buscar a harmonia ao retratar lindas paisagens com cores análogas (cores com matizes bem próximas, como o azul e o verde, o vermelho e o laranja), ou buscar a agitação e a vibração forte de obras com cores complementares (cores opostas, como o branco e o preto, laranja e azul)? Notamos nas obras renascentistas a harmonia das cores análogas, que nos passam a impressão de serenidade.
Quem conhece a famosa Monalisa, do Da Vinci, pode perceber o que estou falando. As cores serem análogas não significa que sejam todas iguaizinhas, mas sim que elas obedecem mais ou menos aos mesmos tons, ou seja, não há cores "brigando" por assim dizer. É a mesma coisa que combinar uma calça verde musgo com uma jaqueta marrom. Não são cores iguais, mas se combinam! E é assim que funcionam com as cores análogas.




Indo ao outro extremo, falando das impressões visuais e psicológicas das cores complementares, o clássico exemplo de obras com cores complementares são as obras fauvistas. Até pensei em dar um outro exemplo, mas acredito que esse seja o melhor, porque justamente elas foram duramente criticadas pelas cores chocantes ao olhar (chegando a "doer" os olhos, por assim dizer). Os fauvistas buscavam a vida na obra de arte nesse contraste. Então, vou mostrar aqui uma das minhas obras de Arte preferidas, a chamada Ponte de Charing Cross, feita por Andre Derain, em meados do século XX.



Para encerrar os argumentos psicológicos da cor, vou colar aqui uma citação do artigo da colega Ana Karina Miranda de Freitas, a respeito das impressões visuais da cor.
As cores quentes são estimulantes e produzem as sensações de calor, proximidade, opacidade, secura e densidade. Em contraste, as cores frias parecem nos transmitir as sensações de frias, leves, distantes, transparentes, úmidas, aéreas e acalmantes. (p. 4)

Agora vamos ao outro lado da questão: o ponto de vista antropológico. A cor é a identidade de uma cultura e de uma época? Digamos que a cor é um dos elementos que pode determinar o caráter de uma obra artística de uma determinada comunidade cultural, e por sua vez, a obra determinar o caráter dessa mesma comunidade.

Reaproveitemos a Monalisa acima. Ela é o retrato da arte europeia, à qual todos nós, estudantes de Artes, estamos todos habituados e "viciados" pela sua estética. Claro que a arte europeia mudou muito com o passar dos anos, como se pode observar pela obra de Andre Derain mais abaixo. Mas eu quero pegar como exemplo a arte europeia renascentista do início do século XVI. O que perdurou na época do Renascimento foi o conceito da razão, ou seja, do homem como o centro do universo. Não era à toa que as cores das obras de arte fossem sóbrias, e análogas, já que a própria arte renascentista segue os preceitos de uma arte naturalista (partindo do princípio de que não vemos a "realidade" sob cores chocantes e complementares), com estudos de proporções e perspectiva. Claro que isso mudou mais adiante com o Impressionismo, que só viria a sugir no século XIX.
Diferentemente da arte africana, onde predomina o Geometrismo e a presença de cores complementares, que inclusive influenciaram as obras de Pablo Picasso.


Referências:

http://www.saber.cultural.nom.br/template/especiais/Moga2ArteAfricana.html

http://www.iscafaculdades.com.br/nucom/PDF/ed12_artigo_ana_karina.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento

terça-feira, abril 28, 2009

Arte-educação e outras questões

0 comentários
Estou postando aqui um texto que escrevi há um ano atrás para a disciplina de Fundamentos e Oficinas em Arte-educação I. Lembrando que as teorias nas quais me embasei são segundo o que dizem as teóricas em Arte-educação Ana Mae Barbosa e Ivone Richter, abordadas no ano de 2008, na disciplina que citei.

"Quem nunca desenhou e precisou de uma certa fonte de 'inspiração' para isso? Algo que nos motivasse a criar, ou fazer Arte.
Na arte-educação isso pode e deve ser utilizado pelos professores a fim de estimular os seus alunos a criarem coisas novas a partir daquelas que já existem.
A eficiência do ensino em Artes Visuais parte do estímulo do professor para com os seus alunos. Por isso é importante que o mesmo saia um pouco do tradicional ambiente da sala de aula, para que a turma respire novos ares, e possa ter idéias novas para se fazer Arte.
Existem os chamados 'temas transversais', que são aqueles assuntos de cunho social que podem e devem ser tratados em sala de aula. Alguns arte-educadores propõem a abordagem de assuntos transversais em sala de aula, a fim de que o aluno se conscientize da realidade onde vive, e ainda se expresse através da linguagem das artes visuais.
A isso chamamos de contextualizar o aluno na realidade onde vive. E pode-se fazer isso de diversas formas. Uma das sugestões refere-se a uma aula de Arte dada segundo uma visão ecológica. O aluno reconhece o meio ambiente (de preferência um campo ou uma praia) e ainda usa isso como fonte de inspiração para os seus trabalhos artísticos.Cabe ao professor explicar direitinho à turma (pode ser ela com crianças, adolescentes ou adultos) do lugar para onde vão, noções ecológicas (não jogar lixo na praia ou no campo, é um exemplo). Aí faz-se de uma simples saída de campo, uma educação não somente em arte, mas em ecologia. "


Postei esse texto para lançar essa problemática e contextualizá-la dentro do momento em que nos encontramos agora. Somos estudantes de Artes (eu e meus colegas de sala de aula) já há quase 3 anos, e precisamos de uma base forte a fim de que possamos defender os nossos argumentos acerca do ensino de Artes. Sei que alguns colegas meus talvez não sigam a carreira de professor, mas ainda assim é bom ter "bala na agulha", como se diz.
Infelizmente, o ensino de Artes anda muito defasado, tanto é que algumas escolas ainda adotam o nome "Educação Artística" ao invés do certo, que é "Artes Visuais". É realmente uma pena que nos deparemos com essa sociedade que ignora completamente a importância de um conhecimento sobre o mundo (porque a Arte é uma forma de conhecer o mundo) e a si mesmo, já que entramos em contato conosco APRENDENDO Arte, FAZENDO Arte e até mesmo ENSINANDO Arte.
Por isso mesmo que temos que nos desdobrar a fim de fazer com que nossos alunos (futuros alunos, pra alguns!) se interessem pela disciplina, tenham respeito por ela, por mais que não sigam aquela carreira em si...
Uma coisa que sempre pensei ser um equívoco. Quando tu falas em Artes ou "Educação Artística" (me dói na alma dizer esse nome!), a pessoa leiga automaticamente fala "Não sei desenhar", "Não gosto de desenhar". É um erro relacionar a Arte sempre ao desenho! A Arte virou agora um estereotipo do desenho? Não denegrindo a imagem do desenho, já que sempre o considerei fundamental dentro da nossa área, mas Artes NÃO É SÓ DESENHO! É muito mais que isso. Arte é conhecimento, Arte é o registro do homem, desde que ele pintava seus bizontes nas cavernas. Por isso mesmo que cabe ao professor de Artes expandir os seus horizontes, provando aos alunos, aos outros professores e às instituições de ensino, que as Artes vão muito além do que eles pensam.

Até uma coisa que eu ia dizer e que foi muito abordada nas aulas de Fundamentos I no segundo ano. A questão de haver professores formados em outras áreas ministrando aulas de Artes. Isso é realmente um absurdo! Porque eles não tem conhecimento a respeito do que se abordar em uma aula de Artes. Resultado: uma aulinha com o título "minhas férias", e a ordem sendo o que? DESENHAR, obviamente!
Os professores de Arte tem que lutar pelo seu espaço e não cair na mesmice, e mostrar aos outros professores e instituições que a sua disciplina tem tanta importância quanto outras. Mostrar-se flexível às necessidades dos alunos. Isso é fácil? Claro que não! Mas tentar e persistir é uma coisa que sempre devemos fazer.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Arte: profissão ou doutrina?

2 comentários
Como fazia tempo que eu não trazia nenhuma novidade ao meu blog, resolvi postar aqui mais críticas a respeito de Arte.
Hoje vou falar a respeito de um assunto mais global do que meramente obras, vanguardas artísticas ou artistas. Sempre que posso, comento a respeito de artistas que mudaram a nossa maneira de ver as coisas, mas também criei este espaço no blogspot para debater coisas polêmicas com relação ao mundo das Artes Visuais.
O artista é considerado diferente das pessoas normais, só que não é. Ele apenas consegue transmitir toda a sua inquietação interior para as suas obras de arte. Só que considerar isso uma profissão é uma coisa que têm dividido muitas opiniões.
Vemos isso até dentro da faculdade. As pessoas tendem a menosprezar o artista, porque sabem que "qualquer um" pode pegar uma roda de bicicleta e dizer que é Arte. Quem estuda mais sabe que não é bem assim. Claro que a Arte, assim como tudo, tem sempre um antro de pessoas arrogantes que julgam saber mais que os outros, julgando as suas produções artísticas melhores do que muitas pessoas com talento, só que com menos estudo. E, infelizmente, a arrogância é inerente a grande maioria da espécie humana.
Eu tenho notado que a maior parte das pessoas que entra na faculdade comemora como se tivesse ganhado a vida... E não é bem assim. A faculdade não é o fim, mas apenas o começo de tudo. Já vi muita gente com rei na barriga mesmo não tendo nem onde cair morto.
Por isso que eu nem culpo tanto as pessoas tão depreciativamente chamadas de "leigas" pela classe elitista "artística". Se elas quiserem achar Picasso, Van Gogh uma porcaria, eu vou entender... Concordo, se elas querem ser levadas a sério, tem é que dizer POR QUE acham isso. Não basta ficar só no achômetro.
A maior parte das pessoas considera Arte e cultura um desperdício, já que é coisa de gente que não tem mais o que fazer ou o que inventar. E sinceramente, até eu acho um absurdo um miquitório valer milhões (apesar de admirar Duchamp). Só acho que elas não se dão conta de que isso faz parte da história delas enquanto sociedade, e que a Arte é uma maneira do ser humano expressar toda a sua realidade e existência.
Meu Deus! Eu observo aqui em Rio Grande mesmo! Temos muitos museus, todos vazios, já que ninguém se interessa por cultura, e aqui lanço a minha questão: arte é doutrina ou profissão? Podemos até encontrar pessoas de Porto Alegre pra cima interessadas em Arte, no entanto é porque é uma cidade maior, portanto com mais pessoas. Questão de proporção. Tem gente ignorante? Tem, assim como em qualquer lugar, mas com certeza há de se encontrar pessoas mais interessadas.
Futuros profissionais de Arte como eu, como a própria palavra diz, encaram a Arte mais como profissão, mas porque em primeiro lugar escolhemos a Arte como doutrina de vida. O ramo das Artes Visuais é um onde tu tens que te doar, tens que procurar entender, tens que crer naquilo que tu estudas, se não... Tu não és artista. Talvez um estudante de Artes com um futuro medíocre pela frente.
Quem ingressa na profissão no ramo das Artes Visuais tem que saber que encontrará muito preconceito, e que terá que trabalhar bem com eles. Não alimentar a chacota dos outros, queixando-se do quanto somos discriminados e diferenciados dos outros cursos da universidade. Não somos médicos, advogados ou engenheiros, mas a nossa tarefa na sociedade é tão importante quanto a deles, já que somos nós quem procuramos entender o íntimo do ser humano. Ser humano não é só leis, carne e matemática, ser humano é sentimento, é complexidade em forma de matéria.
Escrevi esse post para extravasar um pouco essa frustração que tenho pelos dois lados: pelo lado dos artistas que se julgam a parte da sociedade, e por parte das pessoas que não procuram entendê-los.
 
Copyright 2010 Arte comentada | Powered by Blogger.