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Domingo, Janeiro 01, 2012

A polivalência de Leonardo Da Vinci

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Retomando as postagens do Blog depois de tanto tempo, venho trazer um assunto que tem a ver com os meus últimos estudos em História da Arte.Recentemente, retomei os estudos da minha área pra concorrer a alguns concursos pra área educacional, e História da Arte, especialmente pelo livro do Gombrich, está sendo bem cobrada no aspecto "geral".
Normalmente, eu não sou de postar coisas relacionadas à História da Arte, tendo reservado a isso as primeiras postagens do começo de 2009, nas quais falei sobre o Impressionismo e o Pós-Impressionismo.
Enquanto estudava os diversos períodos de História da Arte no mundo (de uma maneira padrão, já que sabemos que a História de qualquer coisa não funciona de forma localizada e linear), dei-me conta do quanto as coisas iam evoluindo de dos vai-e-vens dos conceitos de Arte e do papel do artista na sociedade.
Confesso que até o final da Idade Média era fácil estudar a História da Arte, já que tínhamos somente que entender como eram feitos os trabalhos analisando tão somente o ponto de vista da religião, cultos das épocas distintas.
No entanto, quanto mais avançamos no tempo, mais encontramos nomes destacáveis. E mais difícil é aprender a respeito não somente do momento histórico e sua arte característica, mas dos próprios artistas que, dada a sua influência, revolucionaram de maneira muito efetiva o ramo das Artes Visuais.
Escolhi um artista do qual não sou particularmente fã, mas penso ser uma injustiça não comentar a seu respeito, pelo que tenho lido sobre ele. Estou falando tão somente do grande gênio renascentista Leonardo Da Vinci.

Leonardo Da Vinci (1452-1519), o mais velho desses famosos mestres, nasceu numa aldeia toscana. Foi aprendiz numa importante oficina em Florença, a do pintor e escultor Andrea Verrocchio (1435-88).
(...) Foi introduzido nos segredos técnicos do trabalho de fundição e outras tarefas metalúrgicas, aprendeu a preparar quadros e estátuas cuidadosamente, fazendo estudos de nus e de modelos vestidos. Aprendeu a estudar plantas e animais curiosos para incluir em seus quadros e recebeu fundamentos básicos sobre a óptica da perspectiva e o uso de cores. No caso de qualquer outro rapaz talentoso, esse treinamento teria sido o suficiente para fazer dele um respeitável artista, e muitos bons pintores e escultores saíram, de fato, da próspera oficina de Verrocchio. Mas Leonardo era mais do que um jovem talentoso. Era um gênio cujo intelecto poderoso será eternamente objeto de assombo e admiração para os mortais comuns. Sabemos alguma coisa sobre a amplitude e produtividade do espírito de Leonardo porque seus alunos e admiradores preservaram cuidadosamente seus esboços e cadernos de apontamentos, milhares de páginas cobertas de escritos e desenhos, com exertos de livros que Leonardo leu e rascunhos para obras que pretendia escrever. Quanto mais se estudam esses papéis, menos se pode entender como um ser humano foi capaz de se destacar de forma tão profunda em todos esses diferentes campos de pesquisa e dar tão importantes contribuições para quase todos eles. Talvez uma das razões resida no fato de Leonardo ser um artista florentino, e não um erudito de formação acadêmica. Considerava ele que a função do artista era explorar o mundo visível, tal como seus predecessores tinham feito, só que de maneira mais abrangente e com maior intensidade e precisão. Não lhe interessavam os conhecimentos livrescos dos homens de saber. Tal como Shakespeare, ele provavelmente tinha "pouco latim e ainda menos grego".

(...)
 Foi um dos primeiros a aprofundar os mistérios do crescimento da criança no ventre materno; investigou as leis das ondas e correntes; passou anos observando e analisando o vôo de insetos e pássaros, o que iria ajudá-lo a inventar uma máquina voadora que um dia, ele estava certo disso, se tornaria uma realidade. As formas de pedras e nuvens, o efeito da atmosfera sobre a cor de objetos distantes, as leis que governam o crescimento de árvores e plantas, a harmonia de sons, tudo isso era objeto de sua incessante pesquisa e seria (...) Em tempo de paz, divertia-os com brinquedos mecânicos de sua própria invenção e com o projeto de novos efeitos para representações teatrais e cortejos pomposos. Leonardo era admirado como um grande artista e requestado como esplêndido músico, mas, apesar de tudo isso, poucas pessoas poderiam ter feito uma pálida ideia da importância de suas concepções ou da vastidão de seus conhecimentos.

(...)
Seja como for, sabemos que Leonardo deixou por executar muitas vezes as obras que lhe encomendavam. Começava uma pintura e deixava-a por acabar, apesar das urgentes solicitações do cliente.Além disso, insistia obviamente em que só a ele cabia decidir quando uma obra sua estava terminada e recusava-se a entregá-la a menos que se considerasse satisfeito com ela. Não surpreende, portanto, que poucas obras de Leonardo tenham sido concluídas, e que seus contemporâneos lamentassem o modo como esse extraordinário gênio parecia desperdiçar seu tempo, deslocando-se incansavelmente de Florença para Milão, de Milão para Florença, e a serviço do notório aventureiro César Bórgia, depois Roma e, finalmente, a corte do Rei Francisco I de França, onde morreu em 1519, mais admirado do que compreendido.

"A Última Ceia" -1495-8
Comentários: Este é um mural pintado no refeitório
do mosteiro de Santa Maria delle Grazie. Infelizmente
está em péssimo estado de conservação. Nota-se que
Da Vinci esmerou-se para compreender como de fato
haveria de ter ocorrido a última ceia, quando Jesus diz
a seus discípulos que um deles o trairá. Quem já viu o
Código Da Vinci vai me dizer que quem está à esquerda de
Jesus é Maria Madalena (hehe)
Mona Lisa - 1502
Comentários: Acho difícil alguém que esteja
lendo a respeito de Da Vinci não saiba que
quadro é este! Temos dois assuntos que
circundam este quadro: o sorriso misterioso
conseguido por efeito da técnica do 'sfumatto'
e sobre o fato da Mona Lisa ser o próprio Da Vinci.


Referências

GOMBRICH, Ernst Hans Josef. A História da Arte. 16ª edição. LTC. Rio de Janeiro, 2009.

Terça-feira, Setembro 27, 2011

A técnica da marmorização

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Depois de tanto tempo sem postar, trago aqui uma novidade interessante pros amantes de novidades no mundo das Artes.
Resolvi pesquisar sobre esta modalidade de pintura/impressão através de um colega das Artes que vinculou ao facebook este vídeo.



Fiquei curiosa e ao mesmo tempo intrigada do quanto os efeitos são modelados a partir de simples pingos de tinta e modelagem das linhas com palitos feitas delicadamente.
O nome desta antiga técnica de artesanato é marmorização. E baseia-se no uso de líquido (pode ser solvente ou água com mistura de alga, como mostrou no vídeo mais abaixo) sobre uma bacia, na qual pinga-se tinta, formando os mais "psicodélicos" desenhos.
O que mais me intrigou, além da possibilidade de se fazer esses desenhos sobre o solvente, foi a possibilidade de impressão em qualquer outra superfície!
Catando alguns vídeos no youtube, me deparo com esta técnica na impressão de guitarras, na pintura de unhas, e até mesmo em superfície de papel, como mostrado no vídeo acima.

Aqui temos um vídeo explicativo sobre a técnica e sobre todos os procedimentos.



Abaixo, mais alguns vídeos de marmorização em guitarra e em unhas.




Qualquer novidade ou informação sobre essa técnica, não deixem de comentar. Se alguém tem alguma curiosidade sobre a história e sobre como surgiu, pode dar a sua contribuição.

Segunda-feira, Maio 30, 2011

Loius Wain - Sua relação com gatos e a Esquizofrenia

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Atualizando mais uma vez, trago mais novidades sobre as minhas pesquisas por aqui.


Cheguei a este artista graças a uma amiga que estuda Psicologia, que estava comentando comigo a respeito de um artista que retratava gatos, só que, devido a seu problema com Esquizofrenia começou a delirar em sua Arte, produzindo trabalhos nos quais a forma felina perdeu-se dando lugar a formas mais abstratas e agressivas.


Vida e trabalho (traduzido da Wikipedia em Inglês):


Louis William Wain nasceu em 5 de agosto de 1860 em Clerkenwell, em Londres. Seu pai era comerciante de tecidos e bordados, sua mãe era francesa. Era o primeiro de seis filhos, e o único menino. Nenhuma de suas irmãs casou. Aos 13 anos, sua irmã caçula foi diagnosticada com "insanidade", e internada em um asilo. As restantes irmãs viveram com sua mãe no decorrer de seus dias, como o fez Louis na maior parte de sua vida. 

Wain nasceu com lábio leporino e o médico deu aos seus pais ordens de que ele não deveria ir para a escola ou ensino antes dele completar 10 anos. Na juventude, foi muitas vezes ausente da escola, e passou grande parte de sua infância perambulando em Londres. Depois deste período, Louis estudou na West London School of Arts e ocasionalmente tornou-se professor por um curto periodo. Aos 20, Wain deixou seu trabalho para dar assistência à mãe e às irmãs depois da morte de seu pai.
Wain desistiu tão logo de sua posição como professor para se tornar um artista autônomo, e neste ofício alcançou sucesso considerável. Especializou-se em desenhos de animais e cenas campestres, e trabalhou para alguns jornais incluindo o "Illustrated Sporting and Dramatic News", onde ele permaneceu por quatro anos, e o "Illustrated London News", começando em 1886. Pelos anos 1880, o trabalho de Wain incluiu ilustrações detalhadas de casas de campo e fazendas inglesas, juntamente com a vida campestre, fora contratado para desenhar feiras agrícolas. Seu trabalho neste tempo incluía uma vasta variedade de animais, e ele manteve sua habilidade de desenhar seres de todos os tipos durante toda a sua vida. Em um ponto em especial de sua vida, esperava ganhá-la desenhando retratos de cães.
Aos 23 anos, Wain casou-se com a governanta de sua irmã, Emily Richardson, 10 anos mais velha (o que era considerado um escândalo na época), e mudou-se com ela para Hampstead, no norte de Londres. Pouco depois, Emily começou a sofrer de câncer, e morreu apenas 3 meses depois de seu casamento. Foi durante este período que Wain definiria o objetivo de sua carreira. Durante sua doença, Emily era confortada por seu gatinho de estimação Peter, e Wain lhe ensinou truques, como colocar óculos no gatinho, fingindo ler, a fim de entreter a sua esposa. Ele começou a desenhar extensas esquetes do gordo gato preto e branco. Ele, mais tarde, escrevera sobre Peter: "A ele devo o alicerce de minha carreira, a evolução do meu esforço inicial, e da criação do meu trabalho." Peter pode ser reconhecido em muitos trabalhos antigos publicados de Wain.



"Gato entre flores"


Em 1886, o primeiro desenho de gatos antropomórficos de Wain foi publicado na edição de Natal da Illustrated London News, entitulado de "Uma festa de Natal para Gatinhos". A ilustração mostrava 150 gatos, muitos dos quais se assemelhavam a Peter, enviando convites, segurando uma bola, divertindo-se com jogos, e fazendo discursos sobre painéis de 11 anos. Sob o pseudônimo de George Henri Thompson, ele ilustrou inúmeros livros para crianças por Clifton Bringham e publicado por Ernest Nister.


A Cat's Party
"A Cats Party" - 1890
File:Louis Wain - Katzenweihnacht.jpg


Nos anos seguintes, os gatos de Wain começaram a andar como bípedes, sorrir amplamente e a usar outras expressões exageradas, bem como vestir sofisticadas e contemporâneas roupas. As ilustrações de Wain mostraram gatos tocando instrumentos musicais, servindo chá, jogando cartas, pescando, fumando, e aproveitando uma noite de ópera. Tais retratos animais antropomórficos eram muito populares na Inglaterra vitoriana, e eram frequentemente encontrados em cópias, em cartões e ilustrações satíricas como algumas de John Tenniel (outro famoso ilustrador contemporâneo).



Wain foi um artista prolífero nos trinta anos seguintes, algumas vezes produzindo até várias centenas de desenhos por ano. Ilustrou cem livros infantis, e seu trabalho apareceu em periódicos, jornais, e revistas, incluindo a Louis Wain Annual, que circulou de 1901 até 1915. Seu trabalho foi também regularmente reproduzido em pinturas de cartões postais, estes são amplamente procurados por colecionadores atualmente. Em 1898 e 1911, ele foi o presidente do "Clube Nacional do Gato" (National Cat Club).



As ilustrações de Wain eram frequentes paródias da espécie humana, satirizando modismos e modas do dia-a-dia. Ele escreveu, "Eu pego um sketch-book em um restaurante, ou qualquer outro lugar público, e desenho as pessoas em suas diferentes posições como gatos, tentando torná-las mais próximas de suas características humanas. Isto me dá uma dupla natureza, e estes estudos, eu acho [ser] meu trabalho mais bem humorado."




Wain estava envolvido em várias instituições de caridade para animais, incluindo o Governing Council of Our Dumb Friends League, a Society for the Protection of Cats, e a Anti-Vivisection Society. Ele também era ativo no National Cat Club, agindo como presidente e represente do comitê em alguns tempos. Ele sentiu que ajudaria a "a acabar com o desprezo dos quais os gatos foram vítimas" na Inglaterra.


Tirando a sua popularidade, Wain sofreu dificuldades financeiras ao longo de sua vida. Foi o responsável por sustentar sua mãe e irmãs, e tinha algum tino para negócios. Wain era modesto e facilmente coagido, mal amparado para negociar no mundo da publicação. Ele frequentemente vendia todos os seus desenhos, não exigindo direitos em sua reprodução. Era facilmente enganado, e já se encontrou ludibriado pela promessa de uma nova invenção ou algum esquema alheio para ganhar dinheiro.

Viajou a Nova Iorque em 1907, onde desenhou algumas histórias em quadrinhos, como "Cats about Town" e "Grimalkin", para o diário de notícias Hearst. Seu trabalho foi amplamente admirado, embora sua atitude crítica em relação a cidade fez dele o tema de circulação na imprensa. Ele voltou para casa com ainda menos dinheiro do que antes, devido ao investimento imprudente em um novo tipo de lâmpada a óleo.

 


- Desordem Mental:

Neste ponto, a popularidade de Wain começa a decair. Retornou de Nova Iorque sem dinheiro, e sua mãe havia morrido de Gripe Espanhola enquando ele estava fora. Sua instabilidade mental também começou a mostrar-se neste tempo, e foi aumentado no decorrer dos anos. Sempre fora considerado encantador, porém excêntrico, e frequentemente tinha dificuldades para discernir o fato da fantasia. Os outros muitas vezes o encontravam incompreensível, devido ao seu jeito tangencial ao falar. Seu comportamento e personalidade mudaram, e ele começou a sofrer de alucinações, mostrando seus primeiros sintomas de esquizofrenia. Considerando que era homem educado e confiante, ele tornou-se hostil e desconfiado, particularmente com suas irmãs. Alegava que a iluminação da tela do cinema havia roubado a eletricidade de seus cérebros. Começou a perambular pelas ruas a noite, a reorganizar móveis dentro da casa, além de  passar um longo período trancado em seu quarto, escrevendo de forma incoerente.


O fogo da mente agita a atmosfera - anos 1930
Alguns especularam que os ataques esquizôfrenicos de Wain eram causados pela Toxoplasmose, uma infecção parasítica que pode ser contraída de gatos. A teoria que a Toxoplasmose poderia ser o gatilho da Esquizofrenia é um assunto de pesquisas em andamento, visto que as origens da teoria podem ser encontradas desde 1953. 



Estilo "elétrico" de Wain
Quando suas irmãs não puderam mais lidar com o seu comportamento errático e ocasionalmente violento, foi finalmente internado em 1924 em uma ala precária do Hospital Psiquiátrico Springfield em Tooting. Um ano mais tarde, ele foi descoberto e suas circunstâncias foram amplamente divulgadas, levando a apelos de figuras como HG Wells e intervenção pessoal do Primeiro-Ministro. Wain foi transferido para o Hospital Real Bethlem em Southwark, e novamente em 1930 para o Hospital Napsbury perto de St. Albans em Hertfordshire, norte de Londres. Este hospital foi relativamente agradável, com um jardim e uma colônia de gatos, epassou seus últimos 15 anos em paz. Enquanto ele se tornava cada vez mais fora da realidade, seu humor instável cedeu, e ele continuou desenhando por prazer. Seu trabalho neste período é marcado por fortes cores, flores e complexas e abstratas formas, embora o seu objeto primário - os gatos - continuasse o mesmo. 



Dr. Michael Fitzgerald contesta a alegação de Esquizofrenia, alegando que Wain mais do que provavelmente teria a síndrome de Asperger (AS). Em uma nota particular, Fitzgerald indicava que enquanto a Arte de Wain tomava um caráter mais naturalmente abstrato à medida que ele envelhecia, sua técnica e habilidade como um pintor não diminuía, como seria de esperar de um esquizofrênico. Além disso, elementos de agnósia visual (perda da capacidade de reconhecer objetos, pessoas, formas) eram demonstrados em sua pintura, uma elemento-chave em alguns casos de AS. Se Wain teve Agnósia Visual, ela manifestou-se como um mísero detalhe.



Séries de cinco de suas pinturas são comumente usadas como exemplos em livros de Psicologia, para supostamente mostrar a mudança em seu estilo, e que seu estado psíquico se deteriorou. Entretanto, não se sabe se esses trabalhos foram criados com o objetivo apresentado, já que Wain não os datara. Rodney Dale, autor de Louis Wain: O Homem que Desenhava Gatos, criticou a crença que as cinca pinturas poderiam ser usadas como exemplo da deteriorização da saúde mental de Wain, escrevendo: "Wain experimentou com formas e gatos, e até mesmo tarde, em vida, ele já havia produzido figuras convencionais de gatos, talvez 10 anos depois de suas [supostas] produções posteriores as quais eram mais formas que gatos."

 


H.G. Wells disse a seu respeito, "Ele era gato em sua essência. Ele inventou o estilo de gato, uma sociedade de gatos, todo um mundo de gatos. Gatos ingleses que não olharem e viverem como Louis Wain deveriam envergonhar-se de si mesmos." Seu trabalho é agora amplamente colecionado, mas é preciso cuidado, já que falsificações são comuns.


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Análise pessoal: 

A análise que farei a seguir é pessoal, portanto tomo o cuidado de dizer apenas uma opinião a respeito do assunto. As pessoas que lerem estão aptas para discordar ou não do que irei falar.

Sobre o período em que trabalhou com ilustrações:

Não há muito o que falar do período em que trabalhava como ilustrador, já que Wain não exteriorizava muito o que sentia, exceto a sua notável afeição pelos bichanos e o olhar humano fixo e vigiador presente em alguns de seus gatos - que nos causa uma sensação de tensão, como se estivéssemos sendo constantemente observados e julgados.

 

O antromorfismo presente em seus gatos é natural em diversos trabalhos de literatura infantil ilustrada, uma vez que personagens de histórias costumam tomar a forma humana, características de personalidade e expressão humanas. A exemplo do Gato de Botas, que é bípede.
Nos desenhos animados, isso também é constante, se tomarmos como exemplo o Tom (de Tom & Jerry), Frajola, Gato Félix, Garfield...


lustração de Gustave Doré (1832-1886) para o conto de fadas O Gato de Botas (Fonte: Wikipedia)
 
 Sobre o período considerado Esquizofrênico:

Talvez por ter uma formação diferente, e analisar mais o lado artístico das obras de Wain, eu possa opinar com outros olhos a diferença entre suas obras do período entitulado "normal", como tive a infelicidade de ler em alguns sites (já que ninguém consegue atribuir o caráter de normalidade a uma linha tão fina e quase imperceptível que separa a loucura da sanidade), do seu período considerado esquizofrênico.

Questiono o fato que Wain tenha produzido tais obras de caráter abstrato por possuir a tal chamada "agnosia visual" - questiono, mas não digo que tal diagnóstico está errado por não possuir formação na área de Psicologia. Sendo que não devemos esquecer que seu pai trabalhava com tecidos e estamparias, algo que pode ter influenciado a sua obra (em suas obras abstratas vemos aspectos de estamparia).

Outrossim, o objeto de sua Arte não desaparecera completamente em meio às suas obras (apesar de fragmentado em formas geométricas radicais podemos reconhecer o "gato").

Deixando claro que não irei discutir sobre a Esquizofrenia em si, ou sobre a Síndrome de Aspenger, já que isto não me cabe.

Podemos notar um aspecto parecido com o de uma mandala em alguns de seus últimos trabalhos por vermos que eles sempre "puxam para o meio", são cuidadosamente simétricos. Comparo aqui o emprego de cores vivas tal como utilizava Van Gogh em seus trabalhos.


O artista retrata o que está dentro do seu íntimo, e aí inclui-se as cores empregadas, seu conjunto, suas formas. Notamos em alguns de seus trabalhos do "estilo elétrico" um forte emprego de cores complementares, o que naturalmente deu o aspecto contrastante entre essas mesmas cores.

Vários grandes artistas, especialmente das épocas do século XIX e XX foram tidos como loucos e descobriu-se mais tarde que eles possuíam um distúrbio que não poderia ser classificado como uma insanidade incapacitadora. Tomei como exemplo Van Gogh, mas tem-se também a grande artista e escultura impressionista Camille Claudel, que fora internada em 1913 em um manicômio.

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Resolvi divulgar o trabalho de Wain não somente por ser uma admiradora dos bichanos, como já expus em minha outra postagem que falei de História da Arte e gatos, mas porque achei relevante comentar, e ao mesmo tempo estranho que não ache muitos comentários do pessoal das Artes Visuais sobre ele. Os comentários em Português que encontrei sobre ele foram mostrados ou por estudantes e profissionais da área de Psicologia ou de ailurófilos como eu.
Sempre faço essa crítica ao ensino de Artes, afirmando que a orientação acadêmica deveria se desvenciliar um pouco do livro ou dos chamados "grandes mestres" (especialmente de vanguarda europeia), para aprender a apreciar outros fazeres artísticos tão legítimos como estes que estudamos em livros de História da Arte, ou de crítica de Arte.


 
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