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sábado, maio 09, 2009

As cores nas Artes Visuais

Estava eu aqui quebrando a cabeça pensando em um assunto para tratar no meu blog. Como gosto de inovar e pegar coisas diferentes para tratar, resolvi falar de um assunto que com certeza é bastante presente em toda a história da pintura.
Estou falando do elemento COR, que nos causa uma dada impressão a respeito da natureza da obra de arte, ou nos mostra como é a natureza do indivíduo que vive em uma determinada cultura, ou a natureza da própria cultura em si.
Já que não escrevo nada aqui sem um embasamento teórico oriundo de um site de confiança, tomei emprestado alguns argumentos de um artigo de uma moça da ISCA faculdades, em Limeira - SP. Inclusive quem quiser dar uma olhada no artigo completo, eu indico, principalmente para aqueles que estudam os processos de criação dentro do ramo das Artes Visuais, ou simplesmente para os críticos de Arte ou até mesmo historiadores de Arte.

Inicialmente eu pensei em falar da influência psicológica da cor, tratada tão veementemente por Van Gogh. Para ele era essa a questão essencial da Arte, já que a cor transmite o sentimento do ser humano quando criou a obra de Arte.

Mas não é somente o argumento psicológico que é válido nesse estudo. As cores nas pinturas também podem ser analisadas sob o ponto de vista antropológico.

Comecemos pelo ponto de vista psicológico. O que buscavam os artistas quando retratavam suas obras com ou cores frias, quentes, mistos dessas duas? Queriam eles buscar a harmonia ao retratar lindas paisagens com cores análogas (cores com matizes bem próximas, como o azul e o verde, o vermelho e o laranja), ou buscar a agitação e a vibração forte de obras com cores complementares (cores opostas, como o branco e o preto, laranja e azul)? Notamos nas obras renascentistas a harmonia das cores análogas, que nos passam a impressão de serenidade.
Quem conhece a famosa Monalisa, do Da Vinci, pode perceber o que estou falando. As cores serem análogas não significa que sejam todas iguaizinhas, mas sim que elas obedecem mais ou menos aos mesmos tons, ou seja, não há cores "brigando" por assim dizer. É a mesma coisa que combinar uma calça verde musgo com uma jaqueta marrom. Não são cores iguais, mas se combinam! E é assim que funcionam com as cores análogas.




Indo ao outro extremo, falando das impressões visuais e psicológicas das cores complementares, o clássico exemplo de obras com cores complementares são as obras fauvistas. Até pensei em dar um outro exemplo, mas acredito que esse seja o melhor, porque justamente elas foram duramente criticadas pelas cores chocantes ao olhar (chegando a "doer" os olhos, por assim dizer). Os fauvistas buscavam a vida na obra de arte nesse contraste. Então, vou mostrar aqui uma das minhas obras de Arte preferidas, a chamada Ponte de Charing Cross, feita por Andre Derain, em meados do século XX.



Para encerrar os argumentos psicológicos da cor, vou colar aqui uma citação do artigo da colega Ana Karina Miranda de Freitas, a respeito das impressões visuais da cor.
As cores quentes são estimulantes e produzem as sensações de calor, proximidade, opacidade, secura e densidade. Em contraste, as cores frias parecem nos transmitir as sensações de frias, leves, distantes, transparentes, úmidas, aéreas e acalmantes. (p. 4)

Agora vamos ao outro lado da questão: o ponto de vista antropológico. A cor é a identidade de uma cultura e de uma época? Digamos que a cor é um dos elementos que pode determinar o caráter de uma obra artística de uma determinada comunidade cultural, e por sua vez, a obra determinar o caráter dessa mesma comunidade.

Reaproveitemos a Monalisa acima. Ela é o retrato da arte europeia, à qual todos nós, estudantes de Artes, estamos todos habituados e "viciados" pela sua estética. Claro que a arte europeia mudou muito com o passar dos anos, como se pode observar pela obra de Andre Derain mais abaixo. Mas eu quero pegar como exemplo a arte europeia renascentista do início do século XVI. O que perdurou na época do Renascimento foi o conceito da razão, ou seja, do homem como o centro do universo. Não era à toa que as cores das obras de arte fossem sóbrias, e análogas, já que a própria arte renascentista segue os preceitos de uma arte naturalista (partindo do princípio de que não vemos a "realidade" sob cores chocantes e complementares), com estudos de proporções e perspectiva. Claro que isso mudou mais adiante com o Impressionismo, que só viria a sugir no século XIX.
Diferentemente da arte africana, onde predomina o Geometrismo e a presença de cores complementares, que inclusive influenciaram as obras de Pablo Picasso.


Referências:

http://www.saber.cultural.nom.br/template/especiais/Moga2ArteAfricana.html

http://www.iscafaculdades.com.br/nucom/PDF/ed12_artigo_ana_karina.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento
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4 comentários:

Felipe R. Contri Paz disse...

bacana! me interessei quando li que as cores também são interesse da antropologia, já que depende de onde é o habitat do artista ou do homem como ser social.
Nórdicos geralmente conhecem vários tons de azul, indios brasileiros vários tons de verde, e assim por diante...

Affonso disse...

Puxa seu blog é excelente, parabéns, virei fã e seguidor.abraços

uhuu disse...

gostei muito desse blog

Carolina Bigheti disse...

Oi, Aline
Sou Carolina médica oftalmologista. Ao estudar o processo de envelhecimento do homem, me deparei com o seguinte: com o passar dos anos, o cristalino do olho passa a absorver cada vez mais maiores comprimentos de onda das cores(se antes enxergava 400nm, aos 70-80 anos enxergam 500nm), determinando mudança nas cores com que artistas pintam os seus quadros ao longo da vida. Você sabe algo a respeito disso? Exemplo de algum artista? Ou lugar para ler sobre isso. Fiquei interessada e vi que você entende do assunto.
Obrigada.
Abs, Carol

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