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terça-feira, dezembro 08, 2009

Diferentes maneiras de se fazer fotografia e escultura

Este deveria ser um post falando a respeito de fotografia, mas é mais do que isso, fala de diferentes maneiras de fazê-la e a sua relação com a escultura.
Mas vamos partir do princípio de que a escultura precisa da fotografia para ser divulgada. Antigamente não tinha como isso ser feito, talvez com desenhos que a reproduzissem, mas nunca seria uma reprodução perfeita.

Quando se fala em escultura, a primeira coisa que lembramos são aquelas clássicas estátuas gregas, ou mais ainda, o Davi de Michelângelo.


Mas com o passar do tempo o conceito da escultura mudou drásticamente, principalmente com a mudança do conceito de Arte no fim do século XIX. Essa mudança paradigmática que a Arte iria sofrer, daria origem a diferentes aspectos tanto na pintura como na escultura. Até pela existência da própria fotografia em si, tanto a pintura, como a escultura, tiveram que aprender a coexistir com essa nova tecnologia.

Ao contrário do que se pensava, que a fotografia acabaria com a pintura, ela passou a auxiliar tanto a pintura como a escultura, divulgando os meios pictóricos e escultóricos. Ela faz os registros, e é graças a ela, que podemos ter a informação visual que queremos . O que seria de nós sem essas reproduções fotográficas de obras de Arte?

Mais do que um meio de registro, a fotografia tornou-se um meio de fazer Arte. Assim como o desenho, elaboram-se composições para a fotografia. E pasmem! Ela está ajudando na elaboração de esculturas abstratas! E não é um material que se consiga expor em uma exposição. Assim como as gotas da querida artista Corrie White, as fotografias que encontro estão cada vez mais relacionadas com o conceito do imaginário e abstrato.

O interior do ser humano, seu mundo, suas ideias e afetos, é algo que está em alta na Arte desde Van Gogh. E nunca saiu de moda desde então. E esses artistas contemporâneos cada vez mais buscam mexer com o imaginário através de suas "fotografias-esculturas".

O primeiro que vou citar é Mehmet Ozgur, que é um artista turco, que faz um trabalho muito bacana com esculturas de fumaça. Quem se interessar mais pelo trabalho dele, disponibilizo o site do artista aqui.


O segundo nome que quero divulgar é o de Bert Hickman, que é um engenheiro aposentado que faz um trabalho muito criativo com descargas elétricas. Infelizmente, no seu flickr não constam suas fotografias com eletricidade, no entanto, o próprio Bert me indicou alguns sites que mostram o seu trabalho com a tridimensionalidade da descarga elétrica.


Um pouco diferente dos trabalhos de Ozgur, que depende meramente da Fotografia para elaborar as formas das fumaças, Bert constrói formas as suas descargas independente de fotografias, inclusive, ele até vende as suas esculturas pelo site que ele mesmo me indicou, quando nos comunicamos pelo flickr. O site contem muitas informações a respeito da natureza do seu trabalho, e sobre como ele é feito.






No vídeo acima, vemos como Bert faz as suas "luzes capturadas", como ele mesmo define o seu trabalho escultórico.Pelo que explica, ele e a sua equipe eletrizam as chapas acrílicas com equipamentos adequados, o que inclui um acelerador de eletrons de 5 milhões de volts, e raio X.
O procedimento consiste na eletrização do acrílico, que escurece devido a grande carga. Com batidas de uma ponta de metal apropriada (um equipamento apropriado para isso), as cargas são liberadas, pelo fato da ponta ser de metal, causando os efeitos vistos. E essa quebra no acrílico aparece na forma de descargas, que dão esse efeito estético interessante. Aliás, a própria estética do trabalho se consegue nessa batida da ponta de metal no acrílico, que deve ser muito bem isolado a fim de não causar choque em quem toque na escultura.
Não é um trabalho que qualquer artista possa fazer, porque além de se precisar dos equipamentos necessários, um conhecimento em eletricidade é imprescindível.

Além de Ozgur e Hickman, estava navegando pelo twitter, quando achei no site World Arts, esse artista que faz um trabalho bem interessante com Fotografia, similar a Ozgur. Estou falando do escocês Bill Millet, que tem por objetivo tirar a Fotografia do seu contexto, e direcioná-la ao pictórico. Millet faz um trabalho muito relacionado ao abstrato, tanto é que admite que um dos seus principais artistas influenciadores é nada mais nada menos que Kandinsky. Abaixo, um de seus trabalhos entitulado "Universo Paralelo".


Traduzindo do seu site, ele afirma: As imagens são primeiro esboçadas e então construídas, SEM a manipulação em computador. Eu começo com um tema básico que envolve a infindável conclusão de que não há começo e nem fim. As pinturas são uma reunião de luzes e cores, uma escultura efêmera capturada na câmera, como alguma neblina distante.
Meu trabalho é influenciado pelas pinturas de Rothko, Kandinsky e o processo da existência, o qual convoca o espectador ao trabalho ao mesmo tempo que o leva para longe. São trabalhos que provocam a meditação.
As imagens examinam o nosso papel e a nossa jornada infinita. Resumindo, nós somos compostos por átomos, todavia no contexto da escola Gestault do pensamento de que tudo é maior do que a soma das partes. Portanto, um conjunto de tijolos são irrelevantes até eles serem construídos em uma propriedade emergente, de novo e de novo, como é a viagem interminável de desconstrução à reconstrução, sob qualquer forma.

Millet faz uma reflexão sobre os seus trabalhos em seu site, tentando atribuir a ele um significado filosófico, não somente um aspecto estético e visual.

Poderia achar uma infinidade de artistas que fazem trabalhos bacanas e não muito divulgados aqui no Brasil. Mas à medida do tempo que eu for encontrando cada vez mais informações a respeito deles, eu divulgo aqui no blog.


Referências:

BBC Brasil

Site Oficial de Mehmet Ozgur

Site indicado por Bert Hickman


World Arts

Visual Osmosis - Site do trabalho de Bill Millet


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1 comentários:

Manuel Casabranca disse...

Gostei desta abordagem sobre o registo da 3D efémera através da fotografia. O meu problema com a fotografia de esculturas é a questão da escala. Perde-se um pouco (por vezes muito) a noção da escala do objecto assim registado, dado estar enquadrado sem referência comparativa. Lembro-me do que me aconteceu com o David de Bernini, que conhecia dos livros de arte e o choque magestático que tive quando vi essa escultura ao vivo na galeria Borghese em Roma. De repente aquilo que eu pensava ser uma estatueta decorativa transformou-se no pathos de todo este e de outros universos. É bom ter magníficas surpresas!

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