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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Os independentes pós-Impressionistas

Escolhi debater sobre o Impressionismo porque foi uma das vanguardas artísticas que mais me inspiraram a fazer escritos acadêmicos durante o ano de 2008.
Achei-a muito interessante não somente pelos artistas que compunham o grupo dos impressionistas, mas também pelas suas obras condizerem exatamente com a personalidade de cada um.
O Impressionismo nasceu na França no ano de 1862, com um caráter totalmente anti-academicista, por isso que exatamente ele demorou um pouco para ser aceito pela sociedade elitista francesa. O que a sociedade queria eram obras com um caráter mais voltado para as normas mais exatas do Renascimento/Barroco, assim como as regras de perspectiva renascentistas e a famosa técnica chiaroscuro (claro-escuro). (Abaixo, "O juramento dos Horácios", de Jacques-Louis David, 1784. Exemplo do chiaroscuro)




A respeito do acontecimento em si, o Impressionismo começou com um grupo de estudantes de Arte que se rebelaram contra o academicismo conservador da época. Irritaram-se por terem que pintar se utilizando de modelos antigos. Eram eles: Monet, Renoir, Bazille e Sisley. E tinham interesse em ir além do que lhes era dado nas aulas, já que queriam pintar ao ar livre, produzir junto aos artistas da aldeia de Barbizon.
Foi no ano de 1874 que o Impressionismo se mostrou a sociedade parisiense. Em uma exposição, Monet havia exposto um quadro entitulado: "Impressão: o nascer do sol". Um crítico de arte, de chacota com a obra de Monet e dos restantes artistas daquela exposição, entitulou aquele grupo de artistas de "os Impressionistas". E pensar que aquele reles deboche viria a dar origem a um dos mais importantes movimentos da Arte.


Os Impressionistas não queriam temas clássicos, aliás, eles mesmos davam uma importância secundária a temas. Seu principal objetivo era o estudo da cor e da luz, já que a fotografia já existia, e retratar a realidade tal como a vemos é algo que já cabia a ela.
Aos olhos do público e dos críticos em Arte, no geral, as obras impressionistas eram vistas como mal feitas, como mal acabadas, porque elas realmente não tinham um acabamento adequado. Justamente o Impressionismo buscava um breve instante na Natureza a ser pintado. Suas pinceladas eram curtas e quase que descuidadas. Como diz o livro "Arte comentada", presente na bibliografia no fim deste escrito: "A cor, segundo descobriram, não é uma característica intrínseca, permanente, de um objeto, mas muda constantemente de acordo com os efeitos da luz, do reflexo ou do clima sobre a superfície do objeto." Justamente por causa da influência da cor na nossa visão de realidade, os impressionistas resolveram levantar essa questão e começaram a realizar estudos acerca disto. (Abaixo, uma das pinturas da série "Nenúfares Aquáticos", de Monet, uma de suas últimas séries de obras)



Vamos dar um exemplo bem simples: a cor de um prédio de dia é diferente da cor de um prédio a noite, principalmente se formos considerar a iluminação pública, que é alaranjada. E era isso que os impressionistas queriam mostrar. Só que acabaram sofrendo muito preconceito por causa do meio acadêmico pariesiense da época, que relutava em aceitá-los.
Uma curiosidade e fato importante a respeito deles era que eles simplesmente não utilizavam o preto, por julgarem "matar" a obra de Arte.
Claro que os impressionistas tinham um líder, e esse líder era Manet, apesar do nome do movimento estar mais relacionado a Monet. Edouard Manet (1832-1883) foi eleito como líder e ídolo dos impressionistas, apesar de ser considerado um artista independente. Seus quadros mais polêmicos, e mais famosos também, são: Almoço na relva (1863), tendo sido este exibido no salão dos recusados, e Olympia (1865). Manet cutucou na ferida das pessoas hipócritas, já que retratou uma mulher nua sem idealizá-la como deusa, e também pela sua técnica não considerada acadêmica, onde não havia gradações de cor, e sim grandes contrastes. E os franceses, hipócritas como eram, só aceitavam mulheres peladas com a denominação Vênus, Afrodite, ou qualquer nome feminino inerente a deusas pagãs.




Enfim, Manet era amigo de Monet, apesar de nunca ter exposto ao lado deles. E Claude Monet (1840-1926) é realmente considerado O líder do Impressionismo. Sempre quis retratar a natureza, dar-lhe vida, cor e movimento. Mas Monet, do grupo dos Impressionistas, era o mais obcecado pela Arte. Tanto é que produziu uma série entitulada "Catedral de Rouen", onde retratou essa catedral sob várias iluminações, durante o dia, a noite e a tarde. E Monet é considerado o "obcecado" do grupo dos Impressionistas, já que sempre estava pintando.


Agora vamos falar de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), que também foi um elemento importante na história do Impressionismo. Renoir gostava de festa! Já que ele sempre retratava pessoas em momentos felizes. Então se for para simplificar, Renoir poderia ser considerado o "felizinho" do grupo, tal como era a sua personalidade. (Abaixo, "Almoço dos remadores", de 1881)


Edgar Degas (1834-1917) era o "azedo" do grupo dos Impressionistas, diria até mais à parte. Degas tinha ideais diferente dos de Monet e dava mais importância ao movimento. Fora que, graças à influência da tipografia japonesa nas suas obras, ele revolucionou a perspectiva dentro das Artes Visuais. Degas adorava retratar bailarinas, a fim de captar o seu movimento num dado instante. Era fã de carteirinha do Ingres que, para quem não conhece, é um dos ícones do movimento do século XIX entitulado Neo-Classicismo. Fora que ele era amigo (?!) da norte-americana Mary Cassat, considerada impressionista também. Abaixo, a "Primeira Bailarina", obra de 1878.


Ainda temos os restantes impressionistas, não os iniciais que citei no início deste texto (Bazille e Sisley), estou falando de Camille Pissarro (1830-1903), que era considerado o "tiozão" da turma (ele meio que apadrinhou o Cézanne e Gauguin), a própria Mary Cassatt (1845-1926), a Berthe Morisot (1841-1895), que era bisneta de Fragonard e cunhada de Manet (aliás, que foi a principal influência em sua obra).

Se formos tratar de escultura impressionista, podemos falar do grande artista que foi Auguste Rodin (1840-1917), considerado pioneiro na escultura moderna. Rodin dava às suas obras uma impressão de mal acabadas, fora que sempre procurava retratar a espontaneidade. Sobre ele, eu tenho um filme muito interessante a indicar. Eu lembro que a Ivana exibiu ele em sala de aula durante o ano de 2008. Ele entitula-se "Camille Claudel" (1988). Ele fala da história da artista e amante de Rodin, Camille Claudel, que teve uma vida atribulada devido à paixão que ela tinha por ele. Camille é a minha ídola também! Para quem não viu o filme, e quer entender sobre a vida de Auguste Rodin e Camille Claudel, fica a minha indicação.

Voltando ao assunto, o Impressionismo influenciou muita gente. E acabou sendo aceito pela sociedade. Aí chegamos a mais um impasse: viria a ser o Impressionismo o vilão dos posteriores movimentos de Arte que surgiram? Esperem por mais posts...

Bibliografia:
STRICKLAND, Carol; Arte Comentada: da Pré-História ao Pós-Moderno; Editora Ediouro; 1999.
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2 comentários:

rosalicolares disse...

O blog esta muito dez, estou retomando os estudos do ano passado.não sei, acho que van gogh era um estusiasta que amava a arte, e com bom ariano, o desafio.
não sei que ele era louco, talvez num mundo onde as pessoas são muito acomodadas, ele fosse muito apaixonado, e vivesse de forma...
van gogh era apixonado pela arte dele, e eu por ele. E o primitivismo eu tambem adoro, tu podia falr disso tambem. ah, e eu não vi oque o tom cruise falou do nazismo ;///

♥ Laíse Carla ♥ disse...

Belo seu blog Aline, estava precisando de um recanto assim, amo arte, especialmente este assunto, e mais ainda Van Gogh, que fez da arte sua religião, um mundo ímpar, pena que ele não viveu mais um pouquinho pra ver sua notoriedade :( Nem Théo...
Vou esperar ansiosa pelos próximos posts :*

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