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quarta-feira, setembro 02, 2009

A milenar Arte Chinesa


Já que abordei anteriormente as Artes Indiana e Islâmica, achei que seria no mínimo indecência deixar a Arte Chinesa de fora.
Quando estava no primeiro ano, fiz um trabalho de Gravura a respeito da Gravura Chinesa, sobre as tradições chinesas a respeito da gravura, o misticismo presente nelas... E foi aí que me apaixonei pela maneira que eles faziam suas obras.
Mas, neste post, pretendo relacionar à China a arte de maneira geral, incluindo pinturas e esculturas.

Claro que não vou falar de todo o período de História da Arte chinesa, já que pretendo fazer apenas um apanhado geral sobre essa Arte que tinha como objetivo a plena harmonia com o universo. Como se sabe, os chineses são um povo espiritualizado, e nisso inclui-se as suas crenças, a sua medicina e também o seu tão rico folclore, e não seria diferente com a sua arte.

Assim como o Islã, a China influenciou muito a maneira de se ver o mundo, principalmente no Sudeste Asiático. Isso sem citar as suas invenções, como o macarrão, a bússola, a pólvora e até mesmo o próprio papel!

Ao que se sabe, foram os inventores da Xilogravura, revolucionando não somente a maneira de fazer Arte, mas também na comunicação! Já que a Xilo era muito utilizada na impressão de livros.
A respeito do livro "O sutra do diamante" (em formato de pergaminho), que foi o primeiro livro impresso na história da humanidade, que se tenha conhecimento (imagem abaixo). 587 anos depois, Gutenberg imprimiu a bíblia. Inclusive, ele foi um personagem de inegável importância na História da Arte por aperfeiçoar as técnicas de gravura, no entanto, ela já havia sido inventada pelos chineses há muitos séculos.



A fim de organizar esse post, dividi em partes os focos da Arte Chinesa, a fim de facilitar o entedimento sobre essa Arte.

- Pintura:

Popularizou-se em aproximadamente 770 a.C.
Ao contrário do Ocidente, que procurava sempre se usar do degradê entre tons claros e escuros, a pintura chinesa se caracteriza principalmente por se utilizar do traço e de cores mais puras, em tons suaves. Sem dúvida é uma pintura muito delicada, encontrando sua suavidade na sutileza do movimento do pincel, que também é usado para escrever.

Na China, o pincel, os tinteiros de pedra, o papel e a tinta são considerados "os quatro tesouros do estúdio".
Era muito comum se utilizar de técnicas com nanquim, como a aguada por exemplo.
Outra característica bem interessante inerente à pintura é que a perspectiva é múltipla! É como se não houvesse tridimensionalidade, dando à pintura a impressão do plano. Nem preciso dizer que há muitos artistas europeus que se inspiraram nessa característica de uma perspectiva múltipla (como o Picasso), assim como a Arte Japonesa tirou muito proveito disso. Inclusive quero falar a respeito de Arte Japonesa em uma outra oportunidade.


Os chineses, como um bom povo espiritualizado e milenar, se utilizam de símbolos na execução de suas obras. A obra é pura expressão no sentido de analisar alguns elementos que nos fazem perceber a sutileza e energia do traço empregado na pintura. Como já falei antes, os chineses procuravam a harmonia com o universo.
Um belo exemplo disso eram os calígrafos, também presentes não somente na China, mas na Arábia (na Arte do Islã eu cheguei a citar sobre os escritos muçulmanos) e no Japão. Ela é considerada a "arte de escrever" e de se fazer uma letra "bonita". É a Arte de aperfeiçoamento das letras, alcançando o máximo de sua expressividade. Ela é feita com um pincel específico ou através de gravuras, sempre buscando uma cadência das formas. É bom salientar que a arte da caligrafia era a considerada mais nobre de todas as artes!




Não poderíamos deixar de citar também as pinturas delicadas presentes na porcelana chinesa, mas aí resolvi falar a respeito delas no outro subtítulo específico para a cerâmica.

- Arquitetura:

Prevalece a horizontal sobre a vertical: os prédios chineses chamam a atenção pela sua grandeza horizontal, no sentido de mostrar a compreensão absoluta do império.

Bilateralidade simétrica:
com isso, os chineses procuram um equilíbrio em sua arquitetura. Com exceção dos jardins, que são assimétricos.

Os pátios e jardins são do lado de dentro dos prédios:
no Ocidente é comum vermos as casas cercadas por jardins e pátios, diferentemente da China, na qual os prédios ocupam todo o espaço do terreno. O curioso é os pátios se localizarem dentro do próprio prédio, como um condomínio fechado.

Noções do Feng Shui:
O Feng Shui é uma corrente de pensamento que parte do princípio que todas as coisas têm vibrações, e a todo o tempo estão sujeitas pelo ambiente. Justamente por isso, que os móveis e construções chinesas são todos pensados e elaborados segundo os preceitos do Feng Shui, de maneira a posicionar os objetos a fim de que o lugar traga boas vibrações. E também há algumas superstições envolvendo talismãs que afastam espíritos malignos (colocados nas portas), a construção de lagos e piscinas se prende no princípio da energia da água, fora a utilização de certas cores, posições segundo os pontos cardeais. Vou dar um exemplo bem simples... Quem nunca viu algo a respeito do Feng Shui em alguma revista de decoração? Os princípios do Feng Shui também são muito utilizados no Ocidente. Assim como, nunca posicionar uma cama com os pés para a porta.

- Escultura e cerâmica:

Escultura:
A escultura chinesa é mais conhecida devido aos seus utensílios metálicos e também às estátuas religiosas de origem budista. Antes do Budismo, a escultura chinesa era feita em baixo relevo e retratava episódios históricos e lendários. Assim como animais lendários eram usados para ornamentar túmulos de antigos imperadores (tal como faziam os egípcios com as múmias). Quanto às esculturas budistas, elas eram usadas para decorar templos, não somente na China, mas em todo o Sudeste Asiático. O conhecido "poder da imagem" também se aplica às crenças religiosas chinesas, já que há também uma adoração a imagens, como muito se viu (e se vê) no Cristianismo. A escultura é estilizada, dentro dos padrões estéticos chineses.



Cerâmica: Os europeus, com certeza, devem aos chineses muitas das técnicas de cerâmica. Os conhecimentos eram passados de geração a geração, e a decoração dos desenhos era minuciosa e única. O que mais se conhece de porcelana chinesa são as que têm motivos florais, com desenhos e traços delicadíssimos, que exigem uma exímia habilidade do artesão. A porcelana chinesa é admirada em todo mundo, já que eles foram os pioneiros neste tipo de arte.


- Gravura:

Por fim, não poderia deixar faltar neste post algum conteúdo sobre a riquíssima gravura chinesa.
A gravura chinesa pode ser divida em dois tipos: a tradicional e a de criação.

Gravura Tradicional: Este tipo de gravura engloba todo o conjunto envolvendo figuras supersticiosas, que, segundo acreditam os chineses, repelem espíritos malignos. Algumas são usadas para portas, outras para as paredes, e há ainda as que servem para as janelas e para as paredes do centro da sala. O interessante é que algumas gravuras são feitas especialmente para serem queimadas, a fim de atrair a boa-sorte (essas são conhecidas como zhima, ou "cavalos de papel", abaixo). Sobre a forma e a cor dessas gravuras, pode-se dizer que são altamente coloridas (a exceção dos zhima), com uma imensa variedade de cores e um degradê impressionante.


Gravura de Criação: Esta foi difundida na China na década de 1930, e é marcada pela forte influência da arte ocidental na Arte Chinesa. Nota-se isso inclusive pelo fato dela possibilitar a livre expressão do artista, totalmente o contrário das tradicionais, que sempre obedeceram a um padrão estético rígido. A gravura de criação foi muito utilizada pelos chineses a fim de protestarem contra a invasão dos japoneses durante o período da Segunda Guerra Mundial.


YIN YANG

E também gostaria de comentar a respeito de um símbolo chinês muito importante: o Yin Yang. Sei que esse é um símbolo usado mais hoje em dia com fins comerciais, mas ele tem muito valor dentro da filosofia taoísta. Ele representa as forças opostas e complementares da Natureza. Sendo o Yin, o feminino, o princípio passivo, frio e noturno; e Yang o masculino, o princípio ativo, quente e diurno. E isso fecha com a maneira simbólica dos chineses de verem o mundo, já que, com simples traços e formas eles conseguem dizer inúmeras de coisas que palavras não seriam capazes de traduzir. Ao mesmo tempo que eles são opostos, se repelem e se atraem ao mesmo tempo, conseguem ainda se complementarem. Esse é um site interessante sobre Yin Yang.

Referências:

http://portuguese.cri.cn/152/2006/09/27/1@52398.htm
http://www.portaldarte.com.br/artechinesa.htm
http://www.chinaonline.com.br/antigo/artes_gerais
http://www.iiimillenium.com.br/fengshui/index.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal

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2 comentários:

Quem sou eu disse...

Mui bueno chiquitita!

Joba Tridente disse...

Olá, A-Line.
Parabéns pelo site.
Tenho três blogs: cinema, arte e literatura.

Geralmente faço as minhas ilustrações para as postagens de literatura. Mas, ao postar a lenda japonesa O Cavalo Branco de Nanko, baseada na obra do artista Kanaoka (conhece?), decidi procurar por algum trabalho dele. Mas só encontrei a gravura "zhima - cavalo de papel", que me parece baseada na lenda, aqui em seu blog.

Espero que me desculpe por usar a gravura (como ilustração) no blog: Falas ao Acaso (http://falasaoacaso.blogspot.com.br/2012/10/wenceslau-de-moraes-o-cavalo-branco-de.html.

Fiz a postagem com o devido crédito ao seu blog. Caso não queira tal "empréstimo" me avise que retiro a ilustração.
Obrigado!

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